Fuga Inútil [Parte 1]

Só preciso fechar meus olhos para que tudo o que aconteceu passe diante de meus olhos como um filme. Um filme que persiste me atormentar incessantemente.

Para todos, aquele era um dia de alegria e tinha que ser mais que festejado. Mas não para mim; aquele dia não podia ter nascido. Aquilo não podia estar acontecendo... Não queria acreditar que naquele dia o estaria perdendo para sempre.

Vejo-me correndo desesperada, quanto meu vestido e meus cabelos esvoaçavam ao capricho do vento, ao mesmo tempo em que chorava como nunca havia chorado antes. Corro em direção a uma igreja não muito grande, mas que nunca conseguirei esquecê-la – pois ela povoa meus pesadelos.

Lá estou eu com os olhos vermelhos e inchados, rosto coberto de lágrimas, paralisada com o que estou vendo. No altar, meu grande e único amor, aquele por quem eu daria a minha vida, estava se casando com outra... Não! Era comigo com quem ele deveria estar se casando! Era eu quem deveria estar ao lado dele, usando o mais belo vestido branco... Não aquela mulher! Aquele era pra ser o dia mais feliz da minha vida e estava sendo o do meu maior martírio!

A dor daquele momento ainda vive dentro de meu peito. Posso sentir meu coração apertado, minha garganta seca e todo o desespero que tomou conta do meu corpo, tal como uma erva daninha; da mesma forma, com a mesma intensidade que senti naquele instante.

Todos os presentes voltaram seus olhos pra mim. Aquela era mais uma das minhas tentativas - a mais insana de todas - de fazê-lo enxergar que era eu quem o faria feliz por toda a vida; que ninguém o amava tanto quanto eu, que o venerava mais que o próprio Deus. Na verdade, aquela era a mais insana pois seria a última tentativa...

Tudo é tão real, tão vivo, que parece que aconteceu à poucos minutos quando na verdade já se passou tanto tempo... Tantos anos...

Agora estou caminhando pelo mesmo tapete que a dona da minha infelicidade caminhou bela e sorridente. Parei a poucos passos dos noivos, com o espírito em frangalhos e o coração destruído. Eu não agüentava mais aquela situação; não havia mais forças pra lutar e a dor era grande demais pra ser suportada. Tinha que por um fim naquele sofrimento de qualquer maneira.

Posso ouvir minha voz tão claramente em minha cabeça que mais parece que ela está passando por meus ouvidos... Gritando a plenos pulmões, com a voz carregada de dor e desespero, o quanto o amava, o quanto ele seria feliz ao meu lado, o quanto era fundamental e indispensável na minha vida...

Mas tudo era em vão... Mesmo estando ali, abrindo meu coração, desnudando minha alma, me humilhando na frente de todos, não consegui aquilo que eu tanto desejava.

Ele me diz – lembrar de cada uma daquelas ainda me ferem como se fosse punhais entrando em minha carne – que não queria ter me ferido daquele jeito, que nunca quis que me iludisse, nem queria ter me deixado daquele jeito; que ficava honrado por saber que existia alguém que o amava tanto e ao mesmo tempo ficava triste por não poder corresponder aquele sentimento, me pediu perdão por ter me machucado e desejou que eu fosse feliz...

“Como quer que eu seja feliz sem você?!”, gritei fora de mim, “Como acha que eu posso continuar vivendo sem o seu amor?! Não agüento mais ! Não suporto mais isso! Estou cansada de sentir essa dor a todo momento de chorar todos os dias! Se não posso viver ai seu lado, se não sou cara ao seu coração, prefiro colocar um fim nisso tudo!”

Sem que ninguém esperasse, tirei um punhal de dentro de meu vestido. Todos me olharam espantados, com a certeza imaginando que eu cometeria uma loucura contra meu grande amor ou contra a noiva dele. Tolos! Nunca faria algo contra a vida de outra pessoa... Quanto mais a dele...

“Adeus”, falo com lágrimas nos olhos e encostando a lâmina fria em meu pescoço, “Estou no limite da dor e não agüento mais conviver com ela...Não quero mais chorar! Preciso por um fim nesse sofrimento de uma vez por todas!”

Após olhar nos olhos dele pela última vez, cerro minhas pálpebras . Respirei profundamente – talvez para a coragem não fugir de mim com minha expiração – e com um único movimento faço um corte profundo em minha garganta.

A agonia é rápida... a dor não é tão insuportável...

Lá estou eu, caída no chão, com meu vestido banhado por meu próprio sangue. Morta...

Mas ao contrário do que eu acreditava, toda a dor que eu senti não acabou em meu último suspiro.

Para meu desespero, foi a partir do meu desenlace que o verdadeiro sofrimento começou....

CONTINUA...

12 comentários:

Malu disse...

OK, esperarei ansiosamente a continuação. Não demora *o*

John disse...

Nossa amoooor!!
muito bom essa historia
estou esperando a continuação
parabéns!!
amoo ♥

Yuri disse...

eu quero é o meu exemplar original e com uma dedicatória <3

Lobo da estepe disse...

O começo me soou estranho, mas depois fica no mínimo surpreendente *-*

H.Max disse...

*o* Emocionante...sem mais palavras.
Esperarei ansiosamente pela continuação

Anônimo disse...

Inicialmente a narrativa pareceu-me como outra qualquer, mas no desenrolar da história, fiquei impressionado com a "seqüência dolorosa e trágica" dos acontecimentos e prendi a respiração no momento em que a moça dá cabo À sua própria vida por amor.
Logicamente, esse fato é apenas o início do sofrimento eterno/penoso pelo qual ela mesma sujeitou-se.
MEUS PÊSAMES.

izakarkaroff disse...

Nossa master ultra thunder magnifico, seguindo o embalo do yurette vou querer o original em...
Parabens rafa e vê se nao demora com a continuação to louco pra ver
Bjo

Diego Muniz disse...

Sabe quando você vai lendo e vai sentindo exatamente o que a personagem sentiu? É essa a sensação que você provocou. Parabéns, belo começo. Posso ainda dizer que o maior êxtase causado pelo mesmo é a dúvida que incita nos nossos neurônios com as ultimas frases.

Um beijo, meu ano. Ta lindo demais!

deadly puzzle disse...

gente, achei tenso O_O
e sabe quando vc se identifica com a história? rs então...
parabéns Rafa <3

Priscilla Vasoncelos disse...

o.O

Priscilla Vasoncelos disse...

Tá, meu comentário foi o mais pobre de todos!
Então, "Nossa."
É mais significativo.

Jorge Oyafuso disse...

Bacana... eu suponho que ela foi ao inferno. Sacumé, conceito bíblico do suicídio.

Mas ó, Rafa; só um toque: acabou-se o trema. xD

Beijo!